Caros e Caras,
Não é por menos que optamos por abrir um blog no dia de hoje. Faz exatamente 41 anos que um grupo de homossexuais no bairro de Greenwich Village, Nova Iorque, ergueu-se contra as autoridades e, assim, contra a exclusão e as opressões sofridas por anos. Este motim, que levaria a dias de resistência contra a polícia, ficaria marcado como a Rebelião de Stonewall(1968). Seria esta uma lembrança que percorreria os anos a advertir-nos de que as fronteiras entre a heterossexualidade e a homossexualidade não se constituiria propriamente num fato científico, mas que teria em seu fundo um cerceamento político difícil de ser identificado.
Trazer ao primeiro passo dos ursinhos Stonewall é abrir nossa pretensa produção contra um mundo pasteurizado e higiênico, orgânico e sectário. Se um gesto fascista ascende, por que não responder aos berros e uivos. Se uma face preconceituosamente se contorce, por que não revestir-se com as gargalhadas mais satíricas. Sim, caros e caras, se no país vigora a verborrágica “ordem e progresso”, escrevemos para lembrar a todos de que isso não passaria do torpe emblema de nossa comiseração e tolerância.
Tolerância com o preconceito e a violência que se investe contra o “diferente”, contra o “outro” e o que nos escapa. Tolerância com um projeto de sociedade que prevê a participação de uns e evita a inclusão dos demais. Ainda que aqui as propostas sejam pequenas e as vozes miúdas, oferecemos um trajeto alternativo de leitura e de questões a todos aqueles cansados de um mundo mensurado sobre o padrão heteronormativo (precário por sinal).
Não, nenhum de nós satisfaz suas medidas. O que ocorre com você? Você se encaixa perfeitamente nestas medidas? Ótimo. Mas há sempre outras belas formas que não são consideradas, que devem ser previstas e não apagadas. Lembremos: há muitos também que não podem se adequar a norma, incluindo neste balaio grande parte dos heterossexuais.
Esperamos propor algo diferenciado a vocês. Esperamos também que vocês se somem: façam o seu zine, criem sua mídia, conquistem a sua autonomia. E digam não aos embutidos culturais. Não aos estereótipos midiáticos.
Seja ursinho, seja queer!
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