Os Ursinhos - Queer!
sábado, 30 de outubro de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
O Anacronismo da VEJA e a “Geração Tolerância”

Para todos que leram a matéria da revista VEJA “A Geração Tolerância”, no exemplar de 12 de maio deste ano, não se espantem – o jornalismo brasileiro consegue escrever páginas ainda melhores (ou seriam piores?). Se vocês foram capazes de chegar ao final da reportagem sem se indignar, sem levantar qualquer dúvida (uma que seja) ou ainda com um belo sorriso no rosto, não se preocupem – a argumentação é... saltitante! Sim, aos pulos a jornalista apresenta os depoimentos da garotada, pincela algumas pesquisas, acrescenta trechos de especialistas (a pesquisa é “profunda”: contamos com um trecho de um psicólogo, um sociólogo e um antropólogo) e, de quebra, ela critica os militantes de 30 anos e os guetos gays. Uma verdadeira ginástica mental! E para aqueles que não leram a revista... Bom, não percam seu tempo.
Claro, a reportagem não poderia partir do nada. É evidente que esta geração lida de forma diferente com a homossexualidade: afirmar sua sexualidade, apesar de todas as dificuldades, é cada vez mais comum. Mas quando falo “esta geração” estou justamente me referindo aos estudantes escolhidos pela revista. Para quais segmentos da sociedade os preconceitos não existem? Por que e onde eles foram dizimados? Bom, mesmo eles não parecem desfrutar da liberdade tão amplamente defendida pela revista: o casal Victor e Luiz Fernando são “discretos”, o máximo que se permitem em público é andar de mãos dadas, “às vezes”.
E mais, contra “a geração tolerância” são lançadas as bandeiras do direito gay. Todo tipo de militância afundaria num no sense apenas por não saberem como “sair do armário”. O método é claro e preciso: “não ter preconceitos para consigo mesmo”. Na verdade, o que está posto nas entrelinhas da reportagem é um preconceito que não se estrutura social e historicamente, mas que deve ser resolvido individualmente. Logo, todos já para as suas casas ou consultórios médicos e comecem suas mudanças por lá mesmo!
Embora as notícias sejam muito boas, quase idílicas, há duas semanas um jovem gay de 14 anos, Alexandre Ivo, morreu após ser espancado por um grupo de homens. Os fatos indicam que foi um crime doloso, ou seja, houve a intenção de matar o jovem (ou deveríamos falar em extermínio?). Graves lesões no crânio, asfixia mecânica e enforcamento. O delegado titular Geraldo Assed afirmaria no jornal O São Gonçalo, de 24 de junho, que “esse grupo já tem um histórico conflituoso de homofobia”. Ironicamente, Alexandre poderia figurar entre os jovens estudantes que participaram da mencionada reportagem. Mas, ora, este tipo de fato não poderia constar em suas páginas: é de ruir o sono de toda a classe média.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Caros e Caras,
Não é por menos que optamos por abrir um blog no dia de hoje. Faz exatamente 41 anos que um grupo de homossexuais no bairro de Greenwich Village, Nova Iorque, ergueu-se contra as autoridades e, assim, contra a exclusão e as opressões sofridas por anos. Este motim, que levaria a dias de resistência contra a polícia, ficaria marcado como a Rebelião de Stonewall(1968). Seria esta uma lembrança que percorreria os anos a advertir-nos de que as fronteiras entre a heterossexualidade e a homossexualidade não se constituiria propriamente num fato científico, mas que teria em seu fundo um cerceamento político difícil de ser identificado.
Trazer ao primeiro passo dos ursinhos Stonewall é abrir nossa pretensa produção contra um mundo pasteurizado e higiênico, orgânico e sectário. Se um gesto fascista ascende, por que não responder aos berros e uivos. Se uma face preconceituosamente se contorce, por que não revestir-se com as gargalhadas mais satíricas. Sim, caros e caras, se no país vigora a verborrágica “ordem e progresso”, escrevemos para lembrar a todos de que isso não passaria do torpe emblema de nossa comiseração e tolerância.
Tolerância com o preconceito e a violência que se investe contra o “diferente”, contra o “outro” e o que nos escapa. Tolerância com um projeto de sociedade que prevê a participação de uns e evita a inclusão dos demais. Ainda que aqui as propostas sejam pequenas e as vozes miúdas, oferecemos um trajeto alternativo de leitura e de questões a todos aqueles cansados de um mundo mensurado sobre o padrão heteronormativo (precário por sinal).
Não, nenhum de nós satisfaz suas medidas. O que ocorre com você? Você se encaixa perfeitamente nestas medidas? Ótimo. Mas há sempre outras belas formas que não são consideradas, que devem ser previstas e não apagadas. Lembremos: há muitos também que não podem se adequar a norma, incluindo neste balaio grande parte dos heterossexuais.
Esperamos propor algo diferenciado a vocês. Esperamos também que vocês se somem: façam o seu zine, criem sua mídia, conquistem a sua autonomia. E digam não aos embutidos culturais. Não aos estereótipos midiáticos.
Seja ursinho, seja queer!
Não é por menos que optamos por abrir um blog no dia de hoje. Faz exatamente 41 anos que um grupo de homossexuais no bairro de Greenwich Village, Nova Iorque, ergueu-se contra as autoridades e, assim, contra a exclusão e as opressões sofridas por anos. Este motim, que levaria a dias de resistência contra a polícia, ficaria marcado como a Rebelião de Stonewall(1968). Seria esta uma lembrança que percorreria os anos a advertir-nos de que as fronteiras entre a heterossexualidade e a homossexualidade não se constituiria propriamente num fato científico, mas que teria em seu fundo um cerceamento político difícil de ser identificado.
Trazer ao primeiro passo dos ursinhos Stonewall é abrir nossa pretensa produção contra um mundo pasteurizado e higiênico, orgânico e sectário. Se um gesto fascista ascende, por que não responder aos berros e uivos. Se uma face preconceituosamente se contorce, por que não revestir-se com as gargalhadas mais satíricas. Sim, caros e caras, se no país vigora a verborrágica “ordem e progresso”, escrevemos para lembrar a todos de que isso não passaria do torpe emblema de nossa comiseração e tolerância.
Tolerância com o preconceito e a violência que se investe contra o “diferente”, contra o “outro” e o que nos escapa. Tolerância com um projeto de sociedade que prevê a participação de uns e evita a inclusão dos demais. Ainda que aqui as propostas sejam pequenas e as vozes miúdas, oferecemos um trajeto alternativo de leitura e de questões a todos aqueles cansados de um mundo mensurado sobre o padrão heteronormativo (precário por sinal).
Não, nenhum de nós satisfaz suas medidas. O que ocorre com você? Você se encaixa perfeitamente nestas medidas? Ótimo. Mas há sempre outras belas formas que não são consideradas, que devem ser previstas e não apagadas. Lembremos: há muitos também que não podem se adequar a norma, incluindo neste balaio grande parte dos heterossexuais.
Esperamos propor algo diferenciado a vocês. Esperamos também que vocês se somem: façam o seu zine, criem sua mídia, conquistem a sua autonomia. E digam não aos embutidos culturais. Não aos estereótipos midiáticos.
Seja ursinho, seja queer!
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